
O escritor Alexandre Brandão, na última quinta-feira, publicou em suas redes sociais uma bela resenha sobre Teias no céu. É muito gratificante ver o livro chegar aos leitores de maneira tão positiva. Para quem ainda não leu e ficou curioso com o título, o texto indica uma ótima pista sobre o significado das "teias". Deixo aqui meu profundo agradecimento ao Alexandre e, abaixo, reproduzo sua resenha:
"Teias no céu de Thaís Velloso, editado pela Editora Patuá, reúne uma série de crônicas que tem dois protagonistas: o Rio de Janeiro e a autora observadora atenta da cidade. Thaís está sempre pensando nela a partir de suas andanças pela cidade. Não à toa, na crônica "Lendo João do Rio", ela se aproxima desse cronista que praticamente deu o caminho a todos que viemos depois dele, é na rua que está a alma encantada da cidade. E ela circula pela rua desde menina: na companhia dos pais pra tomar um sorvete, andar de bicicleta, pra brincar. Depois, é o caminho da escola, depois é o samba, os bares. Em "Linhas da mão", Thaís mostra que ocupa a cidade toda.
Talvez reforçando a música de protesto, "Pesadelo", de Mauricio Tapajós e Paulo Cesar Pinheiro, ela tem construído pontes a cada muro levantado. Se a cidade é dividida, como nos fez ver Zuenir Ventura, Thaís (e tantos outros amigos meus) se incumbe de cindir essa divisão. Do subúrbio, sua origem, ela chega à Zona Norte, ao Centro e à Zona Sul.
Citei uma música que não está nesse livro cheio delas e que é uma presença em diálogo. A música a ajuda a compreender esse estar e crescer na cidade. Particularmente tocante é "Conversa com o tempo", escrita na morte do Aldir Blanc, poeta que ela confessa ser uma espécie de oráculo particular.
O título do livro sempre me causou estranheza. Que teias são essas no céu? De aranha? Não vou dizer do que se trata, mas posso adiantar que é uma daquelas marcas lindas que a infância deixa na gente."










