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Teias no céu

Livro de crônicas de Thaís Velloso

    As cores, o ritmo e a alma do Rio de Janeiro nos invadem, impetuosos, em narrativa cristalina e sedutora. Thaís Velloso, a menina personagem observadora desse universo carioca, apresenta, com engenho e arte, uma coletânea de crônicas-contos que conquista e enleva o leitor/leitora até a última página. O texto “Céu no chão” é o mais comovente, pungente e emocionalmente penetrante de todos quantos li nessa área. A Mangueira invadida pela emoção, e nós leitores também.

    O subúrbio carioca, na tradição iniciada por João do Rio (título de uma das crônicas), é esquadrinhado e aparece vivo e feliz – eu diria, abençoado –, embalado por tratamento textual sinestésico habilmente construído pela narradora. O Carnaval e o samba nos acompanham letra por letra, sílaba por sílaba, frase por frase. As referências à cultura de matriz africana são descritas com atenção e afeto.

     Mas, respondendo à pergunta dos psicanalistas, quando a infância termina? A narradora e espectadora da infância cresce e se torna a professora e a feminista adulta indignada da crônica “Fantasia de bate-bola”. A professora do Pedro II visita o mesmo Rio de Janeiro com a mesma sensação de felicidade. Em “Linhas da mão”: “Sou o terraço de Bangu, uma calçada de Ramos, a descida do Morrinho.”

    Essa alegria contagiante do Carnaval e a prosa cativante de Thaís a gente agradece. E como! A Vila Isabel, sua Escola, nos embala e termina o livro com uma mensagem que nos põe pra cima. Leitura imperdível."

Godofredo de Oliveira Neto


A resenha que escrevi sobre Queima o velho! e outros contos cruéis, do Luís Pimentel, foi publicada no jornal O Globo deste sábado, 17 de outubro de 2026.


A quem se interessa por literatura e experiência urbana, o som das ruas está ali, e sobretudo a brutalidade que isso envolve. As narrativas também têm muito a ver com nossos tempos, com a barbárie que enfrentamos diariamente. Sugiro que coloquem um disco (ou uma playlist) do Aldir Blanc para ler a resenha e o livro.


Segue um trecho da crítica:


"Como na vida urbana, na obra a violência surge em geral de modo inesperado, enquanto observamos o cenário carioca através de lentes que focalizam detalhes alheios aos cartões-postais da cidade. Passando pelo banco de madeira na porta da farmácia, pelo balcão da padaria, pela pizzaria da esquina e pelo sacolão, Magrelinha, protagonista do primeiro conto do livro, orienta nossa andança pelas ruas, fato que aguça também nossos ouvidos, atentos aos bate-papos e burburinhos nas calçadas.


Nesse passeio, somos mais do que espectadores de uma cidade em movimento, na medida em que, captado pela trama, o leitor passa a ser personagem, passageiro do ônibus onde Magrelinha entra depois de ganhar um sanduíche da moça da loja de sucos. O barulho do motor do veículo, o anúncio do assalto e a discussão dos personagens são outros sons de uma cidade partida — para citar Zuenir Ventura —, barulhos que por vezes desencadeiam também a ausência de voz."


Para ler a resenha completa no site do jornal, basta clicar aqui.

 


Neste sábado o jornal O Globo publica a resenha que escrevi sobre Não entender: memórias de uma intelectual, livro da argentina Beatriz Sarlo.


Meu primeiro contato com Beatriz Sarlo talvez tenha sido estudando seu Tempo passado: cultura da memória e guinada subjetiva. Não imaginava, naquele momento em que ela se tornava uma referência para mim, que um dia escreveria sobre a crítica, professora e ensaísta no jornal - suporte tão relevante na vida dela, que também foi resenhista.


Não entender: memórias de uma intelectual, lançado este ano no Brasil pela Companhia das Letras, é um livro sobre sua vida profissional (e pessoal). Fiquei tão fascinada com a leitura que, quando terminei, comecei a ler Viagens: da Amazônia às Malvinas, também de sua autoria.


Assinantes do jornal O Globo têm acesso à resenha também na versão digital.

 

O jornal O Globo publicou no sábado, dia 05 de setembro, a resenha que escrevi sobre O amor na sala escura, romance de estreia de Clarisse Escorel. Aqui vai um trecho:


"O reencontro de Catarina com Daniel — nomes revelados apenas no final do livro — indica a dificuldade de agir a partir do aspecto racional, suplantado muitas vezes pelo emocional. Não há o desvio, a estratégia para evitar que se esbarrem. Fingir não ver o outro poderia facilitar tudo, mas não, é preciso cruzar os olhares, saber a reação, analisar os efeitos do resgate desse passado.


Evocar o amor é também convocar o “E se?”, as hipóteses acerca do que poderia ter sido se agíssemos de outra forma, se fizéssemos outra escolha em determinado momento ou, ainda, é se dar conta de que já não há possibilidade alguma, mesmo que se busque por ela. Todo esse processo implica percepção de mudança, capacidade de enxergar na mesma pessoa uma outra, com a noção de que o tempo a transformou de algum modo (“Eram olhos que apenas lembravam os seus”)."


A crítica completa pode ser lida também na versão digital, exclusiva para assinantes.

 
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© Todos os textos são de autoria de Thaís Velloso, exceto quando indicado pela autora. 

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