- 28 de mai.

Publico hoje em minha newsletter uma crônica sobre o processo de composição de "Bar do Bode", samba que fiz em parceria com meu amigo Nelson Borges. A música foi gravada por Moyseis Marques e estreia amanhã, dia 29/05, nas plataformas digitais.
"No período da pandemia, com saudade dos bares e sambas que eu frequentava, me lembrei de um dos dias em que passei algumas horas sozinha no Bar do Bode Cheiroso, no Maracanã. Era um fim de tarde, embora eu gostasse de ir até lá por volta das onze da manhã. Na mesa ao lado, um homem ouvia baixinho 'Disritmia' e repetia a música, o que me fez imaginar um motivo para que ele reproduzisse a faixa mais de uma vez – que se trata de uma grande composição não há dúvida, mas o que me interessava era criar uma história para aquilo.
Escrevi a letra e mandei pro Nelson: e essa aqui, acha que rola? Ele fez a melodia e pensamos juntos em algumas modificações (Nelson sugeriu colocar na letra uma bebida que eu não tomo, então entrei com outra, que fechou o trecho 'Entre torresmos, cervejas e batidas', além de demais detalhes que fogem da memória).
'Devagarinho vejo o dia entardecer' na mesa do Bode, encostada nos azulejos brancos e azuis, de olho na rua, sempre. As referências a Martinho na letra não são poucas, afinal tudo começou com ele. Cinco anos depois, ou seja, ano passado, o Moyseis Marques gravou o samba, uma honra e uma alegria enorme pra gente. Sem saber da coincidência – confesso que não sou de acreditar em coincidência –, Nelson marcou a gravação do Moyseis no dia 12 de fevereiro, aniversário de Martinho José Ferreira."
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