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Teias no céu

Livro de crônicas de Thaís Velloso

    As cores, o ritmo e a alma do Rio de Janeiro nos invadem, impetuosos, em narrativa cristalina e sedutora. Thaís Velloso, a menina personagem observadora desse universo carioca, apresenta, com engenho e arte, uma coletânea de crônicas-contos que conquista e enleva o leitor/leitora até a última página. O texto “Céu no chão” é o mais comovente, pungente e emocionalmente penetrante de todos quantos li nessa área. A Mangueira invadida pela emoção, e nós leitores também.

    O subúrbio carioca, na tradição iniciada por João do Rio (título de uma das crônicas), é esquadrinhado e aparece vivo e feliz – eu diria, abençoado –, embalado por tratamento textual sinestésico habilmente construído pela narradora. O Carnaval e o samba nos acompanham letra por letra, sílaba por sílaba, frase por frase. As referências à cultura de matriz africana são descritas com atenção e afeto.

     Mas, respondendo à pergunta dos psicanalistas, quando a infância termina? A narradora e espectadora da infância cresce e se torna a professora e a feminista adulta indignada da crônica “Fantasia de bate-bola”. A professora do Pedro II visita o mesmo Rio de Janeiro com a mesma sensação de felicidade. Em “Linhas da mão”: “Sou o terraço de Bangu, uma calçada de Ramos, a descida do Morrinho.”

    Essa alegria contagiante do Carnaval e a prosa cativante de Thaís a gente agradece. E como! A Vila Isabel, sua Escola, nos embala e termina o livro com uma mensagem que nos põe pra cima. Leitura imperdível."

Godofredo de Oliveira Neto

21 de abr. de 2025

Atualizado: 16 de jul. de 2025

Minha crônica "Conversa de família" foi destaque na antologia +Humor, lançada pelo Selo Off Flip em 2023.


Capa da edição
Capa da edição

Conversa de família


Já faz tempo que minha mãe e meu pai se separaram, mas isso nunca os impediu de continuarem amigos. Na verdade, a amizade entre os dois até se tornou mais leve, mais aparente, após a separação. Numa noite, por exemplo, depois de trabalhar o dia todo, ele, do alto de seus cinquenta anos, chegou indignado em casa comentando com a minha mãe:


– Pô, caraca! Aquela mulher me mandou mensagem perguntando o que eu estava fazendo online no zap de madrugada. É mole? Fuçando minha vida a essa hora.

– E quando é que tu vai dar uns pega nessa mulher? Ela tá te querendo.


– Que dar pega o quê! Vou dar pega nada!


– Deixa de ser frouxo! 


– Frouxo... eu, hein. Que coisa esquisita, tirar print da tela pra dizer que viu o “online”...


Ele acha um absurdo a modernidade do stalker, esse negócio de ver o que o outro faz por meio de redes sociais. Talvez nem saiba o significado de stalkear. Não entende que, quando a gente tá a fim de alguém, pode acabar mandando uma mensagem de madrugada, mesmo que na maioria das vezes isso esteja condicionado a uma total falta de assunto.


Poucos dias depois do ocorrido, fomos os três comer num trailer da nossa rua, onde costumávamos pedir um x-tudo acompanhado de batata frita. Na mesa, voltamos ao assunto, e meu pai – meio sem graça, rindo da situação – continuou sem acreditar que uma pessoa se prestava ao papel de bisbilhotar a vida da outra no whatsapp, ainda mais de madrugada. Eu havia acabado de mencionar o nome da tal moça, quando minha mãe me interrompeu, direcionando a pergunta ao meu pai:


– Tu não vai comer?


Interferi na mesma hora, num misto de constrangimento e espanto: 


– Mãe!


– Que é, garota? A batata! Perguntei se ele não ia mais comer a batata frita...


– Ahhh, bem. 


Gargalhamos.

 
21 de abr. de 2025

Meu conto "Ninho" foi publicado na 10ª edição da revista Contos de Samsara, que teve como tema a palavra "colmeia". Para ler o conto, que começa na página 45, basta acessar o link aqui e baixar gratuitamente o pdf da revista.


Capa da edição
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19 de abr. de 2025

Meu conto "Nó" foi publicado na 9ª edição da revista Contos de Samsara, que teve como tema a palavra "colmeia". Para ler o conto, que começa na página 153, basta acessar o link aqui e baixar gratuitamente o pdf da revista.


Capa da edição
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© Todos os textos são de autoria de Thaís Velloso, exceto quando indicado pela autora. 

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