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Teias no céu

Livro de crônicas de Thaís Velloso

    As cores, o ritmo e a alma do Rio de Janeiro nos invadem, impetuosos, em narrativa cristalina e sedutora. Thaís Velloso, a menina personagem observadora desse universo carioca, apresenta, com engenho e arte, uma coletânea de crônicas-contos que conquista e enleva o leitor/leitora até a última página. O texto “Céu no chão” é o mais comovente, pungente e emocionalmente penetrante de todos quantos li nessa área. A Mangueira invadida pela emoção, e nós leitores também.

    O subúrbio carioca, na tradição iniciada por João do Rio (título de uma das crônicas), é esquadrinhado e aparece vivo e feliz – eu diria, abençoado –, embalado por tratamento textual sinestésico habilmente construído pela narradora. O Carnaval e o samba nos acompanham letra por letra, sílaba por sílaba, frase por frase. As referências à cultura de matriz africana são descritas com atenção e afeto.

     Mas, respondendo à pergunta dos psicanalistas, quando a infância termina? A narradora e espectadora da infância cresce e se torna a professora e a feminista adulta indignada da crônica “Fantasia de bate-bola”. A professora do Pedro II visita o mesmo Rio de Janeiro com a mesma sensação de felicidade. Em “Linhas da mão”: “Sou o terraço de Bangu, uma calçada de Ramos, a descida do Morrinho.”

    Essa alegria contagiante do Carnaval e a prosa cativante de Thaís a gente agradece. E como! A Vila Isabel, sua Escola, nos embala e termina o livro com uma mensagem que nos põe pra cima. Leitura imperdível."

Godofredo de Oliveira Neto

Atualizado: 17 de jun.

Foto: Murillo Neto
Foto: Murillo Neto

Teias no céu foi lançado no dia 2 de junho, na Adega da Velha, em uma noite de muita alegria e, felizmente, casa cheia. Os exemplares ficaram esgotados em uma hora e meia e parte da fila veio me abraçar sem ter conseguido adquirir o livro.


Quem abre "Teias no céu" lê logo a dedicatória: "Para Rita e Alexandre, minha mãe e meu pai." Este livro, um sonho realizado, só podia ser para eles, que sempre fizeram tudo por mim.


Foto: Murillo Neto
Foto: Murillo Neto

Também agradeço ao meu amor, Fernando Molica. Quando iniciamos o namoro, ele estava preparando o romance Elefantes no céu de Piedade. Revisei e acompanhei todo o processo do livro, feliz demais por ele. Este ano foi muito bonito ver o inverso acontecer. Curiosamente, nossos livros pela Patuá têm a palavra "céu" no nome, coisa que só percebi depois de escolher o título. Publicar um livro tendo quem a gente ama vibrando junto é uma beleza e um privilégio.


Foto: Murillo Neto
Foto: Murillo Neto

E vale deixar registrada aqui esta foto da minha vó olhando para mim enquanto eu autografava, uma imagem que traduz bastante a beleza que a noite do lançamento me trouxe.


Foto: Murillo Neto
Foto: Murillo Neto

Há muito a dizer sobre o lançamento, emocionante a ponto de proporcionar meu encontro com a professora que me deu aula quando eu tinha 10 anos de idade. Na época eu iria fazer concurso para o Pedro II e ela, sempre atenciosa e carinhosa, passava exercícios para que eu pudesse estudar em casa. Não via a “tia” Carmen desde então e, evidentemente, foi difícil conter a lágrima.


Foto: Murillo Neto
Foto: Murillo Neto

Encontrei pessoas de vários núcleos e períodos da vida – familiares, amigos, ex-alunos, orientandas e professores de todas as instituições por que passei (Centro Educacional Chambarelli, Colégio Pedro II e UFRJ). Ganhei abraços, palavras bonitas, presentes incríveis e histórias para contar. 


Tenho muito a agradecer, mesmo. Obrigada a cada um que esteve presente.


No meu instagram, publiquei fotos com todo mundo que passou por lá.

 

Deu no jornal O Globo deste sábado, no impresso e no digital: o lançamento de Teias no céu será na próxima terça, 2 de junho, no bar Adega da Velha, a partir das 19h. É só chegar.





 

Publico hoje em minha newsletter uma crônica sobre o processo de composição de "Bar do Bode", samba que fiz em parceria com meu amigo Nelson Borges. A música foi gravada por Moyseis Marques e estreia amanhã, dia 29/05, nas plataformas digitais.


"No período da pandemia, com saudade dos bares e sambas que eu frequentava, me lembrei de um dos dias em que passei algumas horas sozinha no Bar do Bode Cheiroso, no Maracanã. Era um fim de tarde, embora eu gostasse de ir até lá por volta das onze da manhã. Na mesa ao lado, um homem ouvia baixinho 'Disritmia' e repetia a música, o que me fez imaginar um motivo para que ele reproduzisse a faixa mais de uma vez – que se trata de uma grande composição não há dúvida, mas o que me interessava era criar uma história para aquilo.


Escrevi a letra e mandei pro Nelson: e essa aqui, acha que rola? Ele fez a melodia e pensamos juntos em algumas modificações (Nelson sugeriu colocar na letra uma bebida que eu não tomo, então entrei com outra, que fechou o trecho 'Entre torresmos, cervejas e batidas', além de demais detalhes que fogem da memória).


'Devagarinho vejo o dia entardecer' na mesa do Bode, encostada nos azulejos brancos e azuis, de olho na rua, sempre. As referências a Martinho na letra não são poucas, afinal tudo começou com ele. Cinco anos depois, ou seja, ano passado, o Moyseis Marques gravou o samba, uma honra e uma alegria enorme pra gente. Sem saber da coincidência – confesso que não sou de acreditar em coincidência –, Nelson marcou a gravação do Moyseis no dia 12 de fevereiro, aniversário de Martinho José Ferreira."


Para ler a crônica completa, basta acessar a newsletter.

 
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© Todos os textos são de autoria de Thaís Velloso, exceto quando indicado pela autora. 

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