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Teias no céu

Livro de crônicas de Thaís Velloso

    As cores, o ritmo e a alma do Rio de Janeiro nos invadem, impetuosos, em narrativa cristalina e sedutora. Thaís Velloso, a menina personagem observadora desse universo carioca, apresenta, com engenho e arte, uma coletânea de crônicas-contos que conquista e enleva o leitor/leitora até a última página. O texto “Céu no chão” é o mais comovente, pungente e emocionalmente penetrante de todos quantos li nessa área. A Mangueira invadida pela emoção, e nós leitores também.

    O subúrbio carioca, na tradição iniciada por João do Rio (título de uma das crônicas), é esquadrinhado e aparece vivo e feliz – eu diria, abençoado –, embalado por tratamento textual sinestésico habilmente construído pela narradora. O Carnaval e o samba nos acompanham letra por letra, sílaba por sílaba, frase por frase. As referências à cultura de matriz africana são descritas com atenção e afeto.

     Mas, respondendo à pergunta dos psicanalistas, quando a infância termina? A narradora e espectadora da infância cresce e se torna a professora e a feminista adulta indignada da crônica “Fantasia de bate-bola”. A professora do Pedro II visita o mesmo Rio de Janeiro com a mesma sensação de felicidade. Em “Linhas da mão”: “Sou o terraço de Bangu, uma calçada de Ramos, a descida do Morrinho.”

    Essa alegria contagiante do Carnaval e a prosa cativante de Thaís a gente agradece. E como! A Vila Isabel, sua Escola, nos embala e termina o livro com uma mensagem que nos põe pra cima. Leitura imperdível."

Godofredo de Oliveira Neto

Ainda no SINALLIP, na UERN, eu e Kaio Rodrigues ministramos um minicurso online. "Te apresento a mulher mais discreta do mundo": a reinvenção feminina na literatura brasileira contemporânea teve quatro horas de duração e o conteúdo partiu da ementa disponibilizada abaixo.


Ementa:

Com foco na ficção contemporânea escrita por mulheres, mais especificamente a partir dos anos 2000, este curso pretende ler e debater contos produzidos pelas autoras Maria Valéria Rezende, Cíntia Moscovich, Conceição Evaristo e Giovana Madalosso à luz das teorias feministas. Para isso, serão abordadas as obras Vasto mundo (2001), Essa coisa brilhante que é a chuva (2012), Olhos d’água (2014) e A teta racional (2016), centrando-se na leitura de um conto de cada livro, a fim de discutir ficcionalização de questões de gênero e procedimentos literários da ficção criada por mulheres. As narrativas curtas selecionadas têm como protagonistas personagens femininas, as quais serão fio condutor para a análise de suas representações ficcionais e, consequentemente, da relação da literatura contemporânea com os discursos feministas.

 

O IV Simpósio Nacional de Literaturas de Língua Portuguesa e III Simpósio Internacional de Literaturas de Língua Portuguesa aconteceu de forma semipresencial na UERN, em outubro de 2023, com o tema Multiplicidades corpóreas: atravessamentos político-culturais em literaturas de língua portuguesa.


Apresentei, de maneira remota, a comunicação A mulher flâneuse nas crônicas de Eneida de Moraes, cujo trabalho completo foi posteriormente publicado em e-book, que pode ser acessado neste link. Meu artigo começa na página 56.

 

Em outubro de 2023 apresentei, no 37º Encontro Nacional da ANPOLL, na UFF, meu trabalho A cronista Eneida: uma flâneuse em cidades brasileiras no século XX em formato de pôster.



Participar do 37° ENANPOLL, que teve como tema "Pós-graduação e pesquisa em Letras e Linguística na reconstrução de um Brasil democrático e plural", foi bem legal. Tive a oportunidade de apresentar um recorte da minha pesquisa sobre a cronista Eneida e sua relação com as cidades, explorando a figura da flâneuse em cidades brasileiras, e de assistir a comunicações a respeito de literatura oral e popular, com temáticas ligadas ao Pará, terra de Eneida. E como foi bom encontrar amigos no evento. Viva a universidade pública, sempre.

 
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© Todos os textos são de autoria de Thaís Velloso, exceto quando indicado pela autora. 

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