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Teias no céu

Livro de crônicas de Thaís Velloso

    As cores, o ritmo e a alma do Rio de Janeiro nos invadem, impetuosos, em narrativa cristalina e sedutora. Thaís Velloso, a menina personagem observadora desse universo carioca, apresenta, com engenho e arte, uma coletânea de crônicas-contos que conquista e enleva o leitor/leitora até a última página. O texto “Céu no chão” é o mais comovente, pungente e emocionalmente penetrante de todos quantos li nessa área. A Mangueira invadida pela emoção, e nós leitores também.

    O subúrbio carioca, na tradição iniciada por João do Rio (título de uma das crônicas), é esquadrinhado e aparece vivo e feliz – eu diria, abençoado –, embalado por tratamento textual sinestésico habilmente construído pela narradora. O Carnaval e o samba nos acompanham letra por letra, sílaba por sílaba, frase por frase. As referências à cultura de matriz africana são descritas com atenção e afeto.

     Mas, respondendo à pergunta dos psicanalistas, quando a infância termina? A narradora e espectadora da infância cresce e se torna a professora e a feminista adulta indignada da crônica “Fantasia de bate-bola”. A professora do Pedro II visita o mesmo Rio de Janeiro com a mesma sensação de felicidade. Em “Linhas da mão”: “Sou o terraço de Bangu, uma calçada de Ramos, a descida do Morrinho.”

    Essa alegria contagiante do Carnaval e a prosa cativante de Thaís a gente agradece. E como! A Vila Isabel, sua Escola, nos embala e termina o livro com uma mensagem que nos põe pra cima. Leitura imperdível."

Godofredo de Oliveira Neto

Eneida
Eneida

No dia 29 de julho de 2024, apresentei meu trabalho "Na beira do abismo, samba": a cronista Eneida e o Carnaval carioca no Seminário Internacional Fazendo Gênero 13. Foi bem legal poder levar a obra de Eneida para o maior seminário internacional do país sobre questões de gênero.


E na manhã dia 31 de julho ministrei, com o doutorando Kaio Rodrigues, o minicurso "Eu-mulher em rios vermelhos/ inauguro a vida": alguns contos de autoria feminina no Brasil contemporâneo, planejado por meio da seleção de obras de Conceição Evaristo, Giovanna Madalosso, Eliane Alves Cruz e Cíntia Moscovich.

 

Atualizado: 1 de jul. de 2025

Quando comecei a ler Eneida, soube que precisaria conhecer sua cidade natal, Belém do Pará, e o planejamento para isso foi acontecendo ao longo de 2023. Em abril de 2024, me senti absolutamente realizada por fazer essa viagem a Belém, onde visitei a Coleção Eneida de Moraes na UFPA, estive nos lugares pelos quais a autora passou e aqueles que registrou em suas crônicas - como a rua em que Eneida morava, a Benjamin Constant, o Theatro da Paz, entre outros.


Também consegui ver a exposição "Eneida Simplesmente" no Palacete Faciola e pude conhecer a cineasta e produtora Zienhe Castro, diretora e produtora do curta "Promessa em Azul e Branco", inspirado em crônica de Eneida. Por fim, já de volta ao Rio, tive a alegria de estabelecer contato com Luiz Guilherme de Souza Pereira, porta-estandarte do Império de Samba Quem São Eles no ano em que a Escola homenageou a escritora (1973).


Na Biblioteca Central da UFPA, visitando a Coleção Eneida de Moraes
Na Biblioteca Central da UFPA, visitando a Coleção Eneida de Moraes

A sensação de estar em Belém para uma pesquisa intensa foi tão boa que vale registrar o orgulho de ser uma pesquisadora da universidade pública brasileira e de dedicar minha tese de Doutorado a essa mulher incrível, que se tornou enorme referência para mim. Viva Eneida!


Para além da pesquisa, fiquei apaixonada por Belém, sobretudo pela comida de lá, uma das melhores - senão a melhor - do Brasil.

 

Atualizado: 25 de abr. de 2025

Apresentação no Instituto de Letras da UERJ
Apresentação no Instituto de Letras da UERJ

Estive na UERJ, em novembro de 2023, para participar do Seminário dos Alunos de Pós-Graduação em Letras da UERJ, com comunicação sobre a jornalista, escritora e feminista Carmen da Silva. Foi ótimo poder apresentar um trabalho sobre autoria feminina nesse espaço tão acolhedor.


Reproduzo uma síntese do trabalho, disponível no caderno de resumos (p. 228):


Carmen da Silva: jornalista, escritora e feminista

Thaís Fernandes Velloso (UFRJ/CAPES)


O resgate de produções de autoria feminina, algo que vem sendo realizado com mais frequência nas últimas décadas, corresponde à tentativa de reduzir o que a pesquisadora Constância Lima Duarte chama de “memoricídio”, termo que tem como significado o apagamento de escritoras dos cenários histórico e literário a fim de silenciá-las e inviabilizar suas produções. Com base nessa perspectiva e com o compromisso de analisar brevemente a produção de Carmen da Silva na imprensa brasileira, este trabalho explora a atuação profissional da referida jornalista e escritora, tendo como foco o caráter feminista de seus textos. Para isso, abordamos os estudos de Sylvia Paixão, em especial seu ensaio “Clarice Lispector e Marina Colasanti: mulheres no

jornal” (1995), que discute a ausência e a conquista de espaço pela mulher nos jornais brasileiros; de Ana Rita Fonteles Duarte, a respeito da trajetória da autora, no livro Carmen da Silva: o feminismo na imprensa brasileira (2005); e de Beatriz Sarlo, acerca das temáticas da memória e da subjetividade, exploradas na obra Tempo passado: cultura da memória e guinada subjetiva (2007). A partir dessa discussão, a pesquisa focaliza a leitura do artigo publicado no jornal Mulherio em março-abril de 1 981, intitulado “Abracadabra!”, no qual Carmen da Silva estimula as mulheres a assumirem seus próprios destinos. Assim, será possível atestar a relevância da jornalista e escritora como feminista no cenário brasileiro, considerando a relação de seus escritos com a crítica ao patriarcalismo e com a experiência de ter acompanhado o autoritarismo de um governo argentino, regime que lhe proporcionou uma “consciência coletiva” responsável por inspirá-la a produzir seu primeiro romance e a responder as cartas que recebia de leitoras de sua coluna em periódico – tema do texto “Abracadabra!”.

 
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© Todos os textos são de autoria de Thaís Velloso, exceto quando indicado pela autora. 

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